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Direitos de Quem Mora Junto e Se Separa: O Que Diz a Lei?

Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum que casais optem por morar juntos sem formalizar a união através do casamento civil ou da união estável registrada. No entanto, muitas dúvidas surgem quando ocorre a separação. Quais são os direitos de quem mora junto e depois se separa? Há divisão de bens? Existe direito a pensão? Neste artigo, explicaremos tudo de maneira simples e objetiva.

1. Diferença entre Morar Junto e União Estável

Nem toda relação em que duas pessoas vivem juntas é reconhecida como união estável. Para que essa configuração exista legalmente, devem estar presentes alguns critérios:

  • Convivência duradoura, pública e contínua;
  • Objetivo de formar uma família (mesmo sem filhos);
  • Estabilidade no relacionamento.

Se o casal apenas dividia o mesmo espaço, mas sem intenção de constituir família, a união estável pode não ser reconhecida, e os direitos que dela derivam podem não se aplicar.

2. Direitos Quando Há União Estável

Caso o relacionamento configure uma união estável, a lei garante alguns direitos na separação, semelhantes aos do casamento. Entre eles:

a) Regime de Bens

  • A regra geral é o regime da comunhão parcial de bens, ou seja, tudo o que foi adquirido durante a relação pertence ao casal e será dividido em partes iguais em caso de separação.
  • Se houve um contrato de convivência com regime diferente (como separação total de bens), esse acordo prevalece.

b) Pensão Alimentícia

  • Um dos ex-companheiros pode pedir pensão ao outro se demonstrar necessidade financeira e impossibilidade de prover seu próprio sustento.
  • O pagamento não é automático, precisando ser analisado caso a caso pelo juiz.

c) Direitos sobre Imóveis e Bens

  • Se o casal comprou um imóvel ou adquiriu bens juntos, eles devem ser divididos conforme o regime de bens aplicável.
  • Se um dos parceiros pagou sozinho por um bem, pode ter direito à maior parte ou até à totalidade, caso comprove que foi o único responsável pelo pagamento.

d) Guarda e Pensão para Filhos

  • Se o casal tem filhos, a guarda será definida com base no melhor interesse da criança.
  • O genitor que não detiver a guarda deverá pagar pensão alimentícia para ajudar nos custos da criança.

e) Direito à Herança

  • Se o relacionamento configurar união estável e não houver testamento, o companheiro sobrevivente tem direito à herança, podendo concorrer com outros herdeiros, como filhos e pais do falecido.

3. Direitos Quando NÃO Há União Estável

Se o casal apenas morava junto, sem intenção de constituir família e sem um reconhecimento oficial de união estável, os direitos são bem mais limitados:

  • Não há divisão automática de bens: O que cada um comprou individualmente permanece com o respectivo dono.
  • Não há direito à herança: O ex-companheiro não é considerado herdeiro.
  • Não há direito à pensão: Apenas em casos muito específicos, onde fique provada dependência econômica.

Se houver comprovação de que um dos companheiros contribuiu financeiramente para a compra de algum bem em nome do outro, é possível pleitear na justiça a restituição da parte investida.

4. Como Provar a União Estável?

Se houver disputa sobre direitos na separação, a pessoa que deseja comprovar a união estável pode apresentar:

  • Contas conjuntas, contratos assinados em conjunto, declarações de dependência em planos de saúde ou imposto de renda;
  • Fotos e testemunhas que comprovem a convivência duradoura e com intuito familiar;
  • Correspondências enviadas para o mesmo endereço;
  • Documentos de compra de bens em conjunto.

5. Como Se Prevenir de Conflitos?

Para evitar problemas na separação, é recomendável:

✔️ Formalizar a União Estável em cartório e definir o regime de bens; ✔️ Fazer contratos e recibos quando houver compras conjuntas; ✔️ Guardar provas de participação financeira em bens adquiridos em conjunto; ✔️ Redigir um testamento caso queira garantir direitos ao companheiro.

Conclusão

Morar junto não significa automaticamente ter direitos de união estável. Para garantir proteção patrimonial e jurídica, é importante formalizar a relação ou, pelo menos, manter registros claros das contribuições de cada um. Em caso de separação, consultar um advogado especializado em direito de família é essencial para garantir que os direitos de cada parte sejam respeitados.

Se precisar de mais esclarecimentos ou auxílio jurídico, entre em contato com nosso escritório. Estamos prontos para ajudar!

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